Festival DME | música de Karlheinz Stockhausen



O Festival DME, em colaboração com a Semana da Composição da ESML e os Reencontros 21, apresenta uma digressão com música de Karlheinz Stockhausen, com Patrícia Martins (piano), Michael Pattmann (percussão) e Jaime Reis (projeção sonora).

Concertos 

18 de Maio de 2018 | 21h00
Escola Superior de Música de Lisboa
em colaboração com a Semana da Composição*



20 de Maio de 2018 | 16h00
Casa Municipal da Cultura de Seia




21 de Maio de 2018 | 19h00
Casa da Música | Porto
em colaboração com os Reencontros 21




23 de Maio de 2018 | 21h30
Cine-Teatro Avenida | Castelo Branco







*na ESML apenas será apresentada a obra Kontakte


Programa

Klavierstück V, para piano solo (5’30)

Vibra-Elufa, para vibrafone solo (10’)

Natürliche Dauern, nº6 para piano (5’)

Pausa

Kontakte, para piano, percussão e eletrónica (35’)



Klavierstück V 
para piano solo

Ao longo da sua produção musical, Stockhausen escreveu um ciclo de 19 Klavierstücke para piano/sintetizador solo, das quais as 7 últimas peças são associadas e/ou incorporadas em LICHT, ciclo de óperas dedicadas aos 7 dias da semana. De 1952 a 2003, o compositor utilizou esta estrutura para explorar e desenvolver variadas técnicas composicionais empregues paralelamente e/ou posteriormente em obras de maior envergadura. 
No primeiro grupo de Klavierstücke (I – IV), o compositor partiu da técnica composicional Point Music, onde cada nota é considerada um evento sonoro único e isolado, finalizando com a técnica Group Composition, na qual grupos de notas predominam e adquirem a função de fenómeno sonoro-base. O segundo grupo de Klavierstücke (V – X) inaugura o período de escrita variável com Klavierstück V, escrita em 1954. 
Nesta obra existem 6 indicações metronómicas diferentes dividindo-a em 6 secções. Em cada secção existem 3 tipos de grupos de notas, onde uma nota central (ou grupos de notas centrais) é precedida, rodeada ou sucedida por grupos de notas ornamentais. A presença ou ausência do pedal forte é essencial no tratamento tímbrico dos diferentes tipos de grupos. Esta peça, juntamente com o primeiro set de Klavierstücke foi dedicado e estreado pelo pianista belga Marcelle Mercenier nos cursos de verão de Darmstadt no dia 21 de Agosto de 1954.

Vibra-Elufa
para  vibrafone solo

Concebida em 2003, Vibra-Elufa é uma versão para vibrafone solo da peça Elufa para clarinete alto e flauta (1991) parte integrante da última cena da ópera FREITAG AUS LICHT. Baseado no Livro de Génesis, Freitag (Sexta-feira) trata o mito da criação do Homem, onde Eva, esposa de Adão, é tentada por Luzifer a ter um caso ilícito com Caino. Das terríveis consequências desta ilegítima união, a ação dramatúrgica desenvolve-se a partir da ação de casais “impossíveis” interpretada por bailarinos/mimos e atores/músicos. 
As personagens Elu (clarinete alto) e Lufa (flauta) acompanham Eva ao longo de todo o enredo. Nesta versão, a utilização de vários tipos de baquetas é recomendada de forma a reproduzir o diálogo entre estas duas personagens, onde o drama transposto para vibrafone é conseguido através da subtileza das articulações, das diferentes vozes e tempi. 
A obra foi estreada na Sülztalthalle nos cursos de verão Stockhausen Courses Kürten por Michael Pattmann no dia 6 de Agosto de 2004.

Natürliche Dauern (“Natural Durations”)
2005/2006

Este ciclo de 24 peças representa a 3ª Hora de KLANG, ciclo inicialmente de 24 peças dedicadas a cada hora do dia. Nestas peças, o tempo e o ritmo é determinado pela duração natural dos sons. Fatores como registo, intensidade de ataque e a utilização do pedal forte participam ativamente na estrutura do conteúdo musical definindo a duração natural dos sons. Novas técnicas são implementadas e o recurso a instrumentos de percussão reforça um universo sonoro absolutamente único. Em  Natürliche Dauern nº6  um grupo de 3 escalas descendentes na mão direita é repetido 21 vezes, primeiro em tempo decrescente, seguindo em tempo crescente para acabar novamente numa desaceleração contínua do andamento. Desfasada, a mão esquerda partilha o mesmo material com um grupo de 3 melodias descendentes. Nesta peça de rápidas escalas descendentes, a relação entre os dois grupos melódicos em contínua flutuação de tempo cria momentos melódicos, harmónicos e polifónicos como resultado da duração natural do som do registro, da utilização de ambos os pedais e da dinâmica.
Natürliche Dauern 1 – 15 foram estreadas pelos pianistas Frank Gutschmidt e Benjamin Kobler na Sülztalthalle nos cursos de verão Stockhausen Courses Kürten entre 2 e 15 de Julho de 2006.

Kontakte para piano, percussão e eletrónica (1960)

Existem 3 versões desta obra: para eletrónica solo, versão dedicada a transmissões radiofónicas; para piano, percussão e eletrónica, versão dedicada à performance ao vivo; e uma versão teatral chamada Originale. A eletrónica, concebida das instalações da  Westdeutscher Rundfunk (WDR) estúdio de música eletrónica em Colónia entre 1958 e 1960, representa um novo paradigma na conceção formal da música: a unificação do tempo musical, onde uma nota se transforma em ritmo através do controlo da velocidade de frequências, ou um som se transforma em ruído através do controlo da regularidade das mesmas. A perceção do tempo em Kontakte convida o ouvinte a encarnar o próprio som, que viaja no espaço a partir de um sistema de difusão quadrofónico e se revela sob forma de timbres de percussão tão familiares como a madeira, o metal e as peles e os contactos entre estas famílias.
Kontakte para piano, percussão e eletrónica foi estreada no dia 11 de Junho de 1960 no 34th World Music Festival nos estúdio da WDR em Colónia por David Tudor (piano), Christoph Caskel (percussão) e Karlheinz Stockhausen (sound projection).

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